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PROJETOS
SHOPPING CENTERS

A magia promocional dos Shopping Centers.

 

POR GIOVANNY GEROLLA

Conforto e atração ao usuário são primordiais; arquitetura de interiores
e comunicação visual conduzem o consumidor a lojas e serviços.

A intenção original já era atrair pessoas de fora para dentro. Desde as feiras inglesas e francesas nos séculos XVI e XVII, desenvolveram-se diferentes estratégias para chamar a atenção de quem estava transitando na rua para os espaços internos onde o comércio se realizava: eram trovadores, homens que cuspiam fogo, músicos e diversas atrações. Pensar um shopping center é refletir, assim, sobre as origens dessas antigas feiras: "É basicamente um grande invólucro arquitetônico com elementos externos que atraem curiosos e clientes", define o arquiteto Alberto Botti, da Botti Rubin Arquitetos Associados. Mas essa concepção tem-se desenvolvido muito. Com o passar do tempo, a arquitetura incorporou a função dos artistas de rua e teve, ela mesma, de se responsabilizar por atrair pessoas, oferecer serviços e lazer, e ainda desempenhar importante papel urbanístico, como ponto de encontro de visitantes e opção de passeio para a família. Ainda há quarenta anos, contudo, quando os primeiros shoppings apareceram em São Paulo (Iguatemi e Ibirapuera), eles eram como uma grande "caixa de lojas": "Não havia conforto ou facilidades que os tornassem próprios ao passeio, e nem era possível memorizar as lojas", relembra o diretor da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), Luis Augusto Ildefonso da Silva. "Eram mais um emaranhado de corredores sem lógica, escuros, com espaços concretados, nada aconchegantes." Mais atualmente, novas necessidades de redução de custos com energia elétrica e preferência pela iluminação natural, o desenvolvimento de revestimentos resistentes e específicos, além de lojistas que passaram a investir cada vez mais em seus espaços individuais, fizeram com que esse paradigma mudasse. As necessidades não eram só dos lojistas em oferecer o melhor espaço para compras, como o próprio usuário das grandes cidades também precisava de um local limpo e agradável, climatizado, sem  o barulho da rua, e que tivesse todos os tipos de serviços e lazer para  quem entra só para se distrair e olhar vitrines. "Restaurantes, cinemas, teatro, escolas, academias, supermercado: o shopping é hoje entendido pelo público como um lugar para se passar o tempo livre", analisa Silva.
 

Prazos curtos

No quesito obra, por outro lado, o empreendimento é ainda maior: "O prazo é rígido, e não adianta terminar depois do Natal, porque os lojistas já estarão contando com essas vendas", afirma o presidente da construtora Hochtief, André Glogowsky. "Tem que haver uma ampla supervisão e administração do andamento da obra, porque depois de o espaço comum ser concluído, cada lojista deverá ter tempo suficiente para finalizar seu projeto de interiores; geralmente os dois últimos meses são dedicados a eles", aponta. Antes disso, porém, o processo é muito longo, desde as fundações, lajes, subsolo, painéis arquitetônicos, até o trabalho de empresas de instalações elétricas e hidráulicas, ar-condicionado e revestimentos: tudo passa por um cronograma muito apertado e uma logística bem-estudada. A arquitetura de interiores, por sua vez, tem a função de deixar o espaço aprazível. "Há um movimento de reestruturação dos shoppings mais velhos, que buscam inserir luz zenital e materiais sustentáveis, recicláveis ou de maior durabilidade", conta Silva. Segundo Botti, um aspecto atual que tem caracterizado novos projetos é o sentido de circulação permanente nos interiores. "É importante que
o usuário não passe duas vezes pelo mesmo lugar, e que haja uma comunicação visual por sinais indicativos suficiente para conduzi-lo entre lojas e pavimentos, sem que ele se perca", diz. Ao mesmo tempo, uma grande variedade de produtos específicos para a aplicação em shoppings foi desenvolvida: revestimentos, luminárias, sistemas de ar-condicionado, elementos paisagísticos. "As fachadas também passaram a trazer elementos arquitetônicos, cores, texturas e comunicação visual, que deixam o prédio mais convidativo", afirma o diretor da Alshop. "É preciso que tudo esteja no projeto. Como o investimento inicial é altíssimo, durabilidade e performance dos materiais devem ser previstos ainda no papel", complementa o presidente da Hochtief. Para o lado de dentro das lojas, um memorial descritivo de obras especifica os materiais que podem ser escolhidos na produção de ambientes internos. A idéia é que no edifício haja um padrão mínimo de qualidade, que não seja comprometido. "As lojas são entregues no cimento, só com  instalações prontas e alvenaria",  revela Glogowsky. Qualquer mudança ou opção por diferentes materiais e sistemas deve ser aprovada pela engenharia da obra. O arquiteto relembra também que o shopping cria forte relação com seu entorno. Assim, um bairro nunca mais será o  mesmo: "O efeito urbanístico é muito interessante, porque há um aumento exponencial de demanda no mercado imobiliário; o shopping atrai muitos novos moradores e é catalisador de valorização imobiliária. Há casos em que o preço de um terreno no entorno de um shopping chega a dobrar”.


Alberto Botti
“Um aspecto atual que tem caracterizado novos projetos é o sentido de circulação permanente nos interiores. “É importante que o usuário não passe duas vezes no mesmo lugar...”

André Glogowsky
“O prazo é rígido, e não adianta terminar depois do Natal, porque os lojistas já estarão contando com essas vendas”

Luis Augusto Ildefonso da Silva
“O shopping é hoje entendido pelo público como um lugar para se passar o tempo livre"

 

 

Midway Mall

Simplicidade do Nordeste, com soluções elegantes e inteligentes.

Na Cidade do Sol, como Natal é conhecida, no Rio Grande do Norte, está um dos maiores shoppings da região Nordeste, de investimentos superiores a R$ 150 milhões, em projeto comandado pela Kawahara|Takano, que desenvolveu arquitetura de fachada e interiores, mobiliário, comunicação visual, paisagismo, urbanismo e coordenou o projeto luminotécnico, primeiramente desenvolvido por Neide Senzi. O Midway Mall tem 230 mil m² de área construída, 50 mil m² de área bruta locável, divididos em três pavimentos, estacionamento para 3.500 veículos, praça de alimentação para 1.800 pessoas, um hipermercado, oito salas de cinema, heliponto e uma infinidade de lojas. Flexibilidade e integração foram pontos conceituais chave, além da adoção da plástica volumétrica "Box Concept", caracterizada pela presença de sólidos interseccionados e subtraídos durante o processo de criação. A implantação é marcada pela horizontalidade, potencializando o acesso de clientes a todos os pisos através de dezenas de escadas rolantes distribuídas estrategicamente. O fluxo viário foi inteiramente revisto, com construção de ruas marginais de acesso ao shopping e passarelas para segurança dos pedestres. Nas estruturas, o sistema dominante é o pré-moldado protendido, preferido em função do curto cronograma imposto pelo empreendedor. As fachadas, por sua vez, são extensão do sistema estrutural: foram seladas com os mesmos painéis pré-moldados, resultando em um grande cubo de concreto. Para amenizar esse impacto, 13 grandes colunas de vidro - temperado e laminado - intercaladas foram adicionadas à fachada, com canhões de luz em seu interior que proporcionam tonalidades variadas, criando uma vibração cromática que pode ser definida segundo os eventos sazonais do varejo (Natal, namorados, dia dos pais). Nos interiores, a preocupação com o conforto térmico determinou o posicionamento dos seis pavimentos de estacionamento voltados para as faces de maior incidência solar, o que também reduziu sensivelmente os custos de refrigeração. As grandes empenas internas e as escadas rolantes foram revestidas de alumínio composto branco e brilhante, o que também criou septos de isolamento térmico e acústico. A praça de alimentação, que recebeu tratamento acústico diferenciado, foi executada em lajes "Pi", com jateamento de celulose e trechos mesclados com forro de gesso. Para ficar mais aconchegante, criaram-se módulos de sofás, mesas e cadeiras separados por jardineiras, em pequenos estares. Para o alto fluxo de visitantes, o piso de alta resistência monolítico, composto de fragmentos de mármore em vários tamanhos e diversas cores, apresentou-se como a melhor e mais moderna solução. Já na cobertura, a agressividade da maresia local fez com que toda a estrutura fosse executada em alumínio. O projeto luminotécnico, por outro lado, adotou iluminações de destaque dos pilares CDMR70W, da Phillips, com foco de 10°, sendo no mall a iluminação indireta composta por fluorescentes T5. A iluminação natural, contudo, não ficou de fora, e tem entrada por três grandes sky windows. A preservação das árvores já existentes antes da execução da obra e a permeabilidade do solo, com a aplicação do piso de concreto intertravado, foram premissas conceituais em urbanismo e paisagismo. Foram ainda distribuídos por todo o perímetro do shopping vários canteiros com esculturas de diversos artistas regionais contemporâneos.

 

FICHA TÉCNICA

Arquitetura de interiores, Design de Mobiliário e Acústica:
“Kawahara | Takano Projetos para Varejo” - Julio Takano (autor), Erica Yanagui (coordenação) e Fabio Pressendo (equipe)

Paisagismo:
Rosely Kawahara (autora) e Magali Yokouchi (colaboradora)
Comunicação Visual: Julio Takano (autor), Virginia Mussi e Fabio Avenoso
(co-autores), Camila Brasil Siqueira (equipe)

Estrutura:
T&A

Instalações Elétricas e Hidráulicas:
Enil

Gerenciamento e Construção:
JAG

Área Construída:
250.000 m²

Fornecedores
Revestimento em alumínio composto: K2 fachadas especiais; cobertura: Metal Arte;

Ar Condicionado: Ar Clima.


Arquiteto: Julio Takano

 

Metrô Boulevard Tatuapé

Mais uma extensão da metrópole.

O conceito inicial do Shopping Metrô Boulevard Tatuapé, em São Paulo, Capital, previa a integração do edifício ao terminal de ônibus e à estação do metrô. Ocupando o lado norte da estação, o projeto arquitetônico do escritório Botti Rubin Arquitetos Associados tem 60 mil m² de área construída, 150 lojas,  praça de alimentação panorâmica, complexo de cinemas, teatro e estacionamento de 800 vagas. O projeto procurou introduzir o maior número possível de elementos que valorizassem o convite ao usuário que está transitando pela região. Para facilitar o acesso, duas entradas - superior e inferior - levam a um grande átrio central, naturalmente ventilado e com iluminação zenital. "Buscamos oferecer ao usuário o que pode significar maior qualidade de vida para ele", justifica Botti. A planta triangular facilitou a implantação do edifício em relação ao vento e à luz, promovendo também melhor dimensionamento do sentido de circulação permanente nos interiores, o que facilita ainda mais o uso do shopping. Fachadas levaram elementos decorativos, para que não se tornassem monótonas e atraíssem transeuntes. Para destacá-las, aplicaram-se painéis de concreto coloridos em mistura com perfis de alumínio e outros elementos lúdicos, com a função de quebrar o aspecto liso do material. "O Boulevard Tatuapé é composto por grandes panos de alvenaria que se combinam com as esquadrias de penetração da luz natural", define o arquiteto. Os "sky-lights", que são aberturas zenitais da cobertura, dão assim maior naturalidade aos interiores. Ainda nas fachadas, massas e cerâmicas estrudadas foram as que apresentaram aplicação mais resistente e compatível à durabilidade esperada pelos empreendedores. A estrutura é totalmente pré-moldada em concreto armado, em modulação de oito metros. Aproveitando-se dessa geometria estrutural, lojas foram pensadas para quatro metros, de forma que em cada módulo pudesse haver no máximo duas delas. Um sistema de colunas e lajes atende ao subsolo, garagens e lojas, enquanto o sistema de fechamento da fachada é tradicional. Com relação aos acabamentos, como em qualquer outra obra de shopping center, somente área comum foi prevista pelo projeto original de arquitetura; cada loja se responsabilizou por seu espaço. O mármore industrial foi especificado  para pisos, enquanto um forro perfurado, como uma grelha, permitiu atender às normas técnicas exigidas pelo Corpo de Bombeiros, com relação ao escape de fumaça, em caso de incêndios. O fato de estar ligado a pontos de grande fluxo de pessoas exigiu que se planejasse rigorosamente a manutenção do edifício. Para isso, a própria construtora, Hochtief, assinou contrato de 36 meses para "facility management", ou a execução de serviços de manutenção do imóvel e suas instalações, operação do sistema de automação, limpeza, brigada de incêndio e coordenação de subcontratados. "Para o shopping será uma grande vantagem, pois já temos  todo o know-how, uma vez que somos os próprios construtores do prédio", diz Glogowsky, da Hochtief. Ele conta que serão mais de 100 funcionários trabalhando na proteção de pisos com os materiais de limpeza certos, gestão de resíduos, obras com os lojistas, jardim e instalações de todos os tipos

FICHA TÉCNICA

Gerenciamento de obra:
Hochtief

Arquitetura:
Botti Rubin Arquitetos Associados

Paisagismo:
Calux

Área construída:
60 mil m²

Fornecedores:

Concreto usinado: Tupi/Polimix; aço: Gerdau; concreto pré-fabricado: CPI Engenharia; blocos de concreto: Presto; argamassas: Megamix; gesso: rtesana/Wallplac; forros metálicos: Sul Metais; alucobond: Arqtec; ar condicionado e exaustão: Prodac; esquadrias de alumínio: Confort; vidros: SF

 


Arquiteto: Alberto Botti

Allianz Arena

Um futuro bem próximo.

Um zepelim que muda de cor. É essa a idéia que se tem ao observar o Allianz Arena, em Munique, na Alemanha, estádio construído em 2005 para receber os jogos da Copa. O projeto, dos suiços Herzog & De Meuron, chama atenção por sua genialidade arquitetônica e refinamento dos sistemas construtivos e materiais aplicados. A fachada é capaz de comunicar os dois times da casa: o Bayern, quando fica vermelha, ou o München 1860, ao assumir a cor azul-clara. Os painéis romboidais que a compõem e conferem ao edifício um aspecto "inflado" possuem 4.250 lâmpadas que mudam de cor segundo o clube que está em campo, em solução luminotécnica tão impactante quanto o efeito visual produzido pelo estádio quando aceso, que fica num bairro afastado de Munique, entre rodovias. Os painéis da fachada são, por sua vez, em membranas de etileno-tetrafluoretileno infladas, com 0,2 mm de espessura cada, resistentes ao calor, frio e não inflamáveis. A versatilidade do sistema estende-se ao controle computadorizado da pressão exercida sobre as placas pela neve que cai no inverno. Em dias de muito calor, entretanto, é possível que alguns desses painéis sejam retirados e a ventilação, dentro do estádio, otimizada. Para sustentar o "balão de ar", 350 vigas são ligadas às paredes de concreto armado. Toda a estrutura é composta por peças de concreto protendido que dão aspecto arredondado ao edifício, afundado no terreno. Já a cobertura apresenta 48 treliças metálicas que se distribuem radialmente e sustentam uma grelha, que funciona como estrutura secundária, e encontra-se interligada à fachada e ao concreto estrutural protendido. Para que o desempenho não ficasse  comprometido, o estudo das possíveis movimentações estruturais nas interfaces foi cuidadosamente detalhado. Mas a eficiência do Allianz Arena não ficou somente em sua engenharia. O estádio é também um verdadeiro shopping center, com diversas lojas abertas ao público geral, área de alimentação, quiosques, lounges, estacionamentos e toda a administração e manutenção de arquibancadas, gramado, clubes e áreas de circulação. Todas as lojas têm um papel importantíssimo nos dias de jogos, principalmente as megastores, que oferecem artigos para os fãs do futebol: brinquedos, desportivos, camisetas e souvenirs diversos. Elas concentram-se nos corredores internos do Allianz Arena, sendo encontradas no terceiro e no sexto pavimentos, que estrategicamente também dão acesso às arquibancadas. Isso faz com que o aspecto promocional da arquitetura conduza torcedores aos interiores das lojas. O mais importante, porém, é que elas não são acessíveis somente a quem pagou entrada para assistir aos jogos. O público geral também pode visitá-las, inclusive acompanhado de guias que fazem tours pelo estádio e que partem do ponto mais comercial do edifício. Para visitar só as lojas não é necessário pagar qualquer entrada. Em grande variedade, lojistas entraram em parcerias com o Allianz ou com um dos dois times da casa: o Bayern e o München, que também possuem seus espaços para venda de produtos. Grandes marcas como T-Com, Lego e Audi dividem os interiores. Os espaços internos das lojas, por sua vez, foram decorados individualmente pelos lojistas que os alugam, em concordância e aprovação da gerência do estádio, dentro do que estava previsto no memorial descritivo de obras. Desta forma, padrão e qualidade foram preservados, e o resultado é único. O Allianz Arena já é visto como um marco da arquitetura em todo  mundo e pode ser considerado especial não só pela forma de sua fachada, possíveis cores e solução estrutural criativa. O desenvolvimento do conceito que envolve todo o aspecto promocional dos times da casa e a disposição de lojas dentro do prédio é parte do que pode ser compreendido como uma tendência para o futuro, onde a arquitetura comercial de qualquer tipo preverá o uso de espaços para fins mercadológicos e de divulgação.


FICHA TÉCNICA

Gerenciamento de obra:
Alpine Bau

Arquitetura:
Herzog & De Meuron

Estruturas:
Arup, IB Haringer, Leichtbau, Kling, Salier Stepan e Walther Mory Maier

Paisagismo:
Vogt

Acústica:
Ebert

Fachada:
R + R Fuchs

Área construída:
37,6 mil m²



 

 

FEICON
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