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O Poder das Cores

Saiba quais cores estarão em evindência no próximo biênio

Especial Tendência de Cores

O poder das cores

Saiba quais cores estarão em evidência no próximo biênio,
segundo estudos de grupos de pesquisa em todo o mundo,
e as opiniões de especialistas sobre sua relevância nas ações
de marketing e nas tendências cromáticas de projetos e coleções.

Reportagem: Deyvis Drusian Gomes
Texto: Mari Marinaro

“Hoje, quando todos correm em busca de resultados cada vez melhores
e mais rápidos, as cores crescem em importância como ferramenta
de marketing”
(Marcos Luiz  Ziravello Quíndici)

O olho humano é capaz de perceber 16.000 cores, então por que não celebrarmos este fenômeno natural?, propõe o premiado e prestigiado designer internacional Karim Rashid. Em seus trabalhos, o artista faz questão de abusar das cores para romper com um “mundo demasiadamente cinza”, explica. “As cores são chaves em todos os meus projetos. O que desenvolvi para o Majik Café, em Belgrado, por exemplo, as ilustrações digitais mudam de cor todos os dias”, conta. Segundo Rashid, para eleger as cores é importante primeiro pensar em um tom específico, sua saturação e associá-la a outra a partir do efeito que transmitem juntas. “Cores são vida para mim, elas são capazes de tocar nossas emoções, nossa psique e até nossa espiritualidade”, define o designer.
Que elas são poderosas, o químico e designer de cores Marcos Luiz Ziravello Quíndici não discute. Para ele, elas são importantes ferramentas de marketing.  “As cores são capazes de produzir induções de identificação e, com isso, influenciar o mundo dos negócios”, garante. Quíndici, também membro do Conselho Técnico Científico da Pró-Cor, dedicado ao estudo, coordenação, representação e proteção legal das atividades relacionadas à cor, explica que “todos nós temos um grupo de cores da nossa preferência. Dentro desse grupo, sempre exaltamos uma, ou no máximo duas cores de maior valor. Quando consumimos algo, buscamos cores que traduzem através desta identificação uma condição de diferenciação, e que gerem ainda sensação de bem-estar.
Com esses atributos, as cores servem a muitos segmentos como símbolo de mudança, e a decoração e a arquitetura, anualmente elegem novas cores para renovar sua identificação com o mercado e com os consumidores. “Hoje, quando todos correm em busca de resultados cada vez melhores e mais rápidos, as cores crescem em importância como ferramenta de marketing”,
defende Quíndici.
Para ele “uma paleta de cores correta, que leve em conta o máximo de informações, como tendências, design do produto e público-alvo, passa a ser uma preocupação mais freqüente, constante e necessária do que já foi há alguns anos. A globalização tornou a disputa pelo mercado ainda mais acirrada e as cores podem funcionar como um diferenciador. Ou seja, elas passaram a ser um item qualificador, com um papel relevante para alavancar vendas”, diz. “Não é à toa que as cores, cada vez mais, são objeto de estudo, tanto no meio acadêmico como entre apreciadores, especialistas e artistas”, complementa.
Resultados dos estudos
Com a proposta de sinalizar as tendências e atender a vários segmentos, como o de produção de revestimentos, móveis e tintas, a cada dois anos, grupos de estudos de cores, de várias partes do mundo, incluindo centros de pesquisas de conceituadas fabricantes de tintas, divulgam o resultado de seus trabalhos e lançam a cartela de cores para o biênio.Para isso, há um processo cuidadoso de pesquisa, realizado por especialistas de diversas áreas. A mais influente equipe que estuda a tendência de cores é a Colour Futures. O grupo internacional é formado por especialistas representantes da América do Norte, América Latina, Europa Continental, Reino Unido e Ásia. Seus estudos são baseados nas opiniões de profissionais do ramo da arquitetura, decoração, design, moda, música, natureza e cultura. A partir do resultado das pesquisas, é composta uma paleta de cores contemporâneas, guiada pelas tendências e interesses da sociedade global.
As tonalidades de cores para 2008-2009 começaram a ser definidas no final de 2006 e foram lançadas em outubro de 2007 no Brasil, no evento da Colour Futures, que aconteceu em São Paulo, quando a ICI Paints, grupo britânico dono da Tintas Coral, apresentou seu novo livro de tendências de cores.
Os estudos da Colour Futures elegeram o amarelo “abacaxi maduro” como a cor do ano. Já, segundo a arquiteta e desinger Elisabeth Wey, que preside o Comitê Brasileiro de Cores, as pesquisas do Centro de Estudo de Cor para a América Latina (Cecal) apontaram os tons dourados e a cor vermelha como destaques para o biênio.
Érica Taguti, consultora de cores da Suvinil, diz que o trabalho mundial serve de base para a definição geral da tendência de cores, e o interno responde pela observação e adaptação dessas informações aos costumes e à cultura nacional. O objetivo é “acompanhar as expectativas e desejos do consumidor, o desenvolvimento tecnológico e as mudanças comportamentais e sociais”, explica.
Mas a estilista de cores da Lukscolor, Deise Melo, adverte que “nem todos os segmentos se adaptam às cores de tendência, quer seja pelos  investimentos necessários ou pelo fato do produto em questão ter um alto valor agregado e ser pouco trocado pelo consumidor”. Já no caso do setor de tintas, a tendência de cores é crucial. E, com o surgimento dos sistemas tintométricos, (que possibilita oferecer uma variada gama de cores) o setor passou a atender prontamente a demanda, tornando capaz a transformação de ambientes em poucas horas e com um custo relativamente baixo, se comparado com outros elementos da decoração.
Deise ainda lembra que as paletas de cores nem sempre mudam radicalmente de um ano para outro. Algumas tonalidades permanecem, enquanto outras dão lugar a novos valores. Determinadas famílias de cores  sofrem transformações gradativas, e outras mudam totalmente.
Segundo a orientação da especialista, para aplicar os estudos das tendências de cores, após a definição da cor mais adequada ao projeto, considerando sua função, tipo de arquitetura e tamanho, entre outros aspectos, a paleta da tendência das cores pode sugerir as tonalidades que nos próximos anos terão maior probabilidade de atrair o consumidor.
Na prática
O arquiteto Eduardo Cabral diz utilizar as referências, de tendência sempre tendo em vista a aplicação específica da cor em sintonia com a função e caráter simbólico do espaço, desvinculado do modismo oportunista.                
Já segundo a designer e consultora de cores Elizabeth Branco, “a globalização tem tornado as barreiras culturais muito tênues, fazendo com que a arquitetura das culturas exóticas, por exemplo, tenha de se adaptar, cada vez mais, às tendências ocidentais”.  A designer também aponta a grande circulação de investimentos e de público estrangeiro, como um dos responsáveis pela forte influência das tendências do mercado sobre ambientes empresariais e hoteleiros.
Mas, para ela, a padronização é uma conveniência comercial. “Respeito isso como um facilitador para a produção, entretanto, somos nós, os profissionais, que temos de dosar sua influência em nossas escolhas”, ressalta. E complementa: “é preciso estar atento e se desprender dos rótulos e dos clichês ditados pela moda, para exercer sua criatividade de forma ilimitada e eficiente, sempre priorizando as necessidades do seu cliente”.
Paola Vieira, gerente de Colour Marketing da Tintas Coral, observa que há uma grande diferença entre a definição de onda, moda e tendência. “As ondas geralmente surgem repentinamente, envolvendo de modo contagiante um grupo de pessoas, mas, ao mesmo tempo, também se dissipam rapidamente”.
Para ela, a moda é mais persistente e, geralmente, influencia por mais tempo a arquitetura, vestuário, roupas, brinquedos, comidas dentre outros. “As tendências, por sua vez, são inclinações e movimentos que apontam em uma direção predominante e duram mais do que as ondas ou modas”, complementa.
Segundo Paola, apesar de arquitetos, decoradores, designers e consumidores, de uma forma geral, não influenciarem fortemente a inclusão de tons nas coleções de cores, com a grande disponibilidade de cores e tons que o mercado oferece, qualquer pessoa tem a possibilidade de colorir um ambiente com milhares de cores diferentes. “Uma diversidade a altura do poder das cores em despertar emoções na alma, no senso, na imaginação, na inspiração, na motivação e no desejo de todo ser humano”, conclui Marcos Quíndici.

“Vejo a padronização no mercado como
uma conveniência comercial. Respeito isso como um facilitador para
a  produção, entretanto, somos nós, os profissionais, que temos de dosar sua influência em nossas escolhas”
(Elisabeth Branco)

A magia colorida
As crescentes opções de tons também podem servir à proposta de garantir um bom fluxo de energia aos ambientes, objetivo da técnica de Feng Shui, adotada por alguns profissionais da área de decoração. Mas Silvana Occhialini, um deles, adverte que a tendência das cores não deve ser utilizada gratuitamente, pois os ambientes possuem necessidades diferentes, dependendo do público e do objetivo para o qual se idealiza o espaço.
A decoradora exemplifica com um projeto de cores que fez para uma editora. Ela conta que, apesar de ter avaliado como agradável o ambiente que encontrou, colorido de azul, a cor não era apropriada para a atividade fim do local. O espaço deveria incentivar a criatividade e o raciocínio, e o azul transmite relaxamento para as pessoas. Silvana recomendou incluir a presença do amarelo, cor apropriada para ambientes em que se requer atenção e criatividade. A especialista diz que a cor influencia as pessoas, mesmo sem elas quererem. “Ela penetra pelos olhos e pela pele”, traduz.
Outro projeto cromático assinado por Silvana foi para a clínica Hara, em São Paulo. A especialista uniu seus conhecimentos em Feng Shui com sua percepção sobre a função comercial dos ambientes para
compatibilizar a vibração dos espaços com as cores a serem eleitas, a fim de assegurar o relaxamento e a suavidade necessária e não causar estranheza. A solução foi, ao invés de pintar as paredes das salas, optar por pintar um retângulo colorido no teto. Assim, as mais de quarenta salas da clínica foram pintadas de cores diferentes, com vários tons de verde, rosa e pêssego, dentre outras. O resultado, segundo a especialista, foi positivo tanto do ponto de vista clínico, como comercial, e teve muito boa aceitação.

Ambientes da clínica Hara, em São Paulo, criados pela decoradora especializada em feng shui, Silvana Occhialini.
Ela associou os ensinamentos da técnica oriental à sua experiência sobre a função comercial dos espaços e pintou as mais
de quarenta salas da clínica com cores diferentes em vários tons de verde, rosa  e pêssego, entre outras.
A solução buscou assegurar tanto os objetivos clínicos como comerciais.

Com base no livro
Feng Shui: o poder de
atrair prosperidade,
de Silvana Occhialini
confira o significado
e a função arquitetônica
de oito cores.

Branco
Leveza, suavidade e pureza. O branco é a união de todas as cores.
Função arquitetônica: amplia os espaços e dá suavidade aos ambientes.

Verde
Tranqüilidade, esperança e frescor.
Função arquitetônica: uso em ambientes com finalidade de acalmar e dar tranqüilidade. Pode-se utilizar com o objetivo de renovação e recuperação. É empregado em clínicas com a finalidade ajudar a recuperar os pacientes.

Azul
Suavidade, paz, inspiração, fé e paciência.
Função arquitetônica: uso em espaços de relaxamento. Não é uma boa cor para fachadas e restaurantes.

Rosa
Romance, afeto, amor e feminilidade
Função arquitetônica: bom para usar em ambientes de circulação feminina.

Pêssego
Variação do tom rosa somado com o laranja. Atração + otimismo e alegria.
Função arquitetônica: ambiente de relacionamento, bom para atração.

Preto
Sabedoria, elegância
e introspecção.
Função arquitetônica: uso em ambientes elegantes com viés contemporâneo. Pode ser usado em contraste com objetos brancos e coloridos. O exagero dessa cor pode causar problemas, pois não é uma cor alegre.

Amarelo
Sabedoria, criatividade e atenção.
Função arquitetônica: usar em ambientes para estudo e trabalho. Ótimo para espaços de criação. Não deve ser usado com exagero, pois pode causar saturação.

Vermelho
Energia, fogo e proteção.
Função arquitetônica: é uma cor que dá idéia de rapidez e também ajuda na produção de sucos gástricos, por isso é muito utilizada em restaurantes e lojas de fast-food. Pode ser utilizado com a finalidade de criar um ambiente caloroso e enérgico, bom para pessoas com problemas de depressão. 

As cores do biênio
Os vários tipos de amarelos, apontados como uma forte tendência pelos últimos estudos cromáticos, vão desde os vibrantes, até os queimados e esverdeados. Outras cores em alta são o laranja vivo e os tons mais rosados, assim como vermelho queimado e variações mais vibrantes. Já o verde se faz presente de tons amarelados até o oliva e o musgo, e o violeta, em tons pálidos, para dar a sensação de tranqüilidade, até os fortes, para garantir mais personalidade aos ambientes.
Segundo Paola Vieira, gerente de Colour Marketing da Tintas Coral, o amarelo, a cor eleita pelos estudos do Colour Futures, é capaz de transmitir otimismo, respeito, esplendor e bem-estar, transcendendo culturas e preferências nacionais. Sua escolha reflete a associação de conceitos opostos: oriente e ocidente, contemporaneidade e tradicionalismo, espírito e intelecto”, analisa.
 Já as quatro tendências lançadas pela Cecal 2009 foram: Ecoton, Maximini, Ludis e NeoGolden. O estilo Ecoton é o que mais se aproxima dos tons da cultura brasileira, pois busca recriar as cores da natureza, como os verdes das matas, os azuis das águas e o amarelo do sol. A coleção Ludis apresenta cores mais divertidas e lúdicas, enquanto o Maximini privilegia a estética dos excessos e contrastes tônicos, e a NeoGolden revela a ostentação e o exagero, típicos do movimento Barroco.

O caminho das pesquisas
O Comitê Brasileiro de Cores, uma entidade sem fins lucrativos, que trabalha ligado ao Centro de Estudos de Cor para a América Latina (Cecal),  dedica-se a apurar as tendências regionais, à pesquisada brasilidade das cores, além de se ocupar com a aplicabilidade mercadológica e acompanhamento do mercado empresarial.  Sua proposta é orientar o desenvolvimento de cores e tonalidades para produtos de escritórios e residências, seguindo as principais tendências do mercado internacional e, assim, atendendo às necessidades de orientação de empresas filiadas na escolha e uso das cores para seu melhor desempenho no mercado de decoração e outros ligados a ele.
Elisabeth Wey, fundadora do comitê, constituído em 1983, explica que e equipe viaja por diversos países visitando feiras das indústrias de construção civil, têxtil, automobilísticas e outras para levantar informações que servirão de base para a criação da cartela de cores. Após a análise dos dados e uma leitura de uma centena de cores básicas e suas várias tonalidades derivantes, é realizado um cruzamento de viabilidade industrial, considerando tanto as matérias-primas existes no País como os pigmentos disponíveis.
O resultado desse trabalho é submetido aos membros do comitê composto por conceituados profissionais de marketing das empresas filiadas que se dedicam a eleger as cores e tonalidades que integrarão a cartela de tendência para o próximo biênio.
O sistema de avaliação das cores adotado foi o de pesquisa de preferências dos profissionais, as cores mais solicitadas pelos clientes e as mais vendidas, onde foram ouvidos cerca de 2 mil pessoas, na faixa etária de 30 a 50 anos, entre arquitetos, decoradores, designers, artistas, dirigentes de empresas do setor e especialistas nas áreas de marketing e produto.

Versão brasileira do livro Colour Futures, lançada em São Paulo, quando a ICI Paints, grupo britânico dono da Tintas Coral, apresentou as tendências de cores de
seus estudos.

 

Ilustrações da Cartela Cecal 2008-2009, lançada pelo Centro de Estudo de Cor para a América Latina (Cecal) e apresentada pelo Comitê Brasileiro de Cores (CBC) durante a Semana Internacional da Cor, que aconteceu em março, em São Paulo, SP. Desta vez em tamanho maior, se comparada aos anos anteriores, e buscando uma linguagem mais moderna. O fundo preto foi eleito inspirado nas tendências mundiais de sustentabilidade e economia de energia, conceituado como Google Black. O material de referência das cores para o próximo biênio aponta 26 tonalidades e traz os tons dourados e a cor vermelha como destaques.

 

 

 

 

 




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