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Argumento ou Instrumento?


“É assim mesmo, a tecnologia tem que aprender a falar a língua do consumidor, e os profissionais de marketing e comunicação têm que aprender a língua da tecnologia”

iz a teoria que marketing é pesquisar, conhecer, compreender e atender às necessidades do consumidor.Seguindo esses passos, o profissional de marketing certamente terá êxito em suas empreitadas. Pois é, como se fosse simples assim. Só para variar, o grande desafio é conseguir colocar em prática no mundo real, a teoria que se estuda e se aprende no mundo ideal. Nos livros, os modelos são perfeitos e no dia-a-dia, nem tanto. Daí uma das dificuldades em promover a tecnologia através da comunicação.Ora, se fiz minha lição de casa e pesquisei, conheci e compreendi as necessidades do consumidor, teoricamente deveria estar apto a apresentar-lhe a tecnologia como solução de seus problemas ou atendimento às suas necessidades. Acontece que o consumidor, aquele que vai assistir ao filme publicitário, que vai ver o outdoor e ler a revista, esse consumidor é um ser humano, como todos nós, programados geneticamente para fugir do desconforto e buscar o prazer; que tem capacidade de se adaptar, mas que também resiste natural e inconscientemente ao novo, ao desconhecido. E que palavras podem ser mais sinônimos de tecnologia do que “novo”, “pioneiro”, “inédito”? Além disso, normalmente a tecnologia, além de representar o “novo”, vem acompanhada de vários termos, também novos, para explicá-la. Neologismos e tecnicismos que mais confundem a cabeça do consumidor do que esclarecem as vantagens e conveniências de sua aplicação. E esse é o ponto: a conveniência.Aquilo que pode ser novo, novíssimo, mas que se pode traduzir praticamente na vida do indivíduo por termos, expressões e palavras, todos já bem conhecidos e de uso regular. Nada que se precise aprender, mas que signifique uma nova situação, de maior facilidade, de maior conforto, de maior conveniência.Bom, mas aí voltamos ao convencional, ao popular; e aquela tecnologia, super-nova, que custou anos de pesquisas e tanto investimento para ser desenvolvida, nem apareceu, não pôde ser comunicada. É assim mesmo, a tecnologia tem que aprender a falar a língua do consumidor, e os profissionais de marketing e comunicação têm que aprender a língua da tecnologia, não para ensiná-la ao consumidor, mas para saber utilizá-la como ferramenta de comunicação, de relacionamento. Atualmente, na era da informação, é muito importante estar em dia com as possibilidades que a tal tecnologia, que não conseguimos comunicar, pode nos proporcionar. Database, datawarehouse, datamining e uma série de outros “data-alguma coisa”, por exemplo, são algumas noções técnicas necessárias para que aconteça a comunicação com os verdadeiros conhecedores e operadores da tecnologia que vai nos ajudar a identificar e localizar o consumidor, conhecer e entender os seus hábitos e necessidades, a fim de que possamos falar com ele, não esqueçam, sobre conveniência. Existe um mundo não pequeno, mas menor do que o do consumo no varejo, que é o mundo dos negócios entre empresas, de técnicos para técnicos, “business to business”, onde a tecnologia pode ser comunicada pelas suas características técnicas.Na maioria dos casos, porém, tecnologia funciona muito mais e melhor como instrumento do que como argumento.

Marcus Vinícius Sinval
Gerente de Marketing
do Sebrae - SP

 

 

 


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