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Livraria Cultura
FERNANDO BRANDÃO ARQUITETURA

Fábrica de imagens

POR: ARQUITETO FERNANDO BRANDÃO

“Amar e criar a beleza são as condições elementares da felicidade. Uma época que não a almeja, permanece imatura visualmente; sua imagem é disforme e suas manifestações artísticas não são
capazes de elevar-nos.”
Gropius

Convenço-me cada vez mais de que o caminho comum dos arquitetos atenuar a desarmonia do  conjunto, construindo aqui e ali um edifício bonito
é insuficiente. Defendo uma arquitetura feita por homens vivos para seus contemporâneos, pois cada época descobre um aspecto da condição humana e o arquiteto só pode encontrar a verdade se for profundamente solidário com sua época. O arquiteto é o que detém o privilégio do conhecimento do urbano, no sentido da captação da dinâmica espacial de um complexo ecológico-humano; é o personagem formado e informado para a criação e elaboração de relações cada vez mais aprimoradas entre o edifício e o indivíduo, entre a cidade e o cidadão, o cidadão e a cidade. É o indivíduo responsável pela tradução plástica do processo cultural e histórico de um aglomerado humano. A arquitetura da Livraria Cultura Paulista começa por um gesto figural que transpõe em imagem os fantasmas, idéias ou visões do espaço pelo artifício de regulamentos onde se misturam intuições e conhecimentos.

“O artista é aquele que fixa e torna acessível aos mais ”humanos” dos homens o espetáculo de que participam sem perceber.”
Merleau-Ponty

Desde o início, o projeto teve a intenção de integrar a nova Livraria Cultura ao Conjunto Nacional. Logo na entrada da loja há uma rampa que dá acesso à entrada principal no mezanino. Sob a rampa, uma área aberta a qual faz ligação direta com a Alameda Santos, funciona como um mall e possui telas de plasmas contendo informações diárias do cotidiano da Livraria Cultura. Subindo a rampa e entrando na loja, tem-se duas opções. Descer a rampa interna, (que foi o partido do projeto e assim mantida originalmente) e ter acesso à revistaria, aos livros, café e ao departamento de reservas, ou subir para o mezanino, onde encontram-se diversas sessões. Tais como, sessão de livros infantis, artes e também cd’s e dvd’s. Ao fundo da loja neste pavimento, há uma parte técnica, restrita para funcionários. Desse piso mezanino consegue-se ter uma vista geral da loja. Tanto para a rampa de acesso ao térreo, quanto para o primeiro pavimento. O acesso a este primeiro  pavimento é feito através das escadas ou pelo elevador. Nele, encontram-se mais sessões de livros, além da sala especial para jazz e clássicos, existente nas lojas da Livraria Cultura. Há neste mesmo piso um auditório com capacidade para acomodar 160 pessoas. Este pavimento possui também uma segunda área técnica para funcionários. E em um lugar privilegiado da loja, há um espaço reservado para as sessões de autógrafos, nos lançamentos dos livros, que acontecem freqüentemente nas Livrarias Cultura. Esta fábrica de imagens é a expressão privilegiada do imaginário que se desenvolve explorando e ampliando, sem cessar, territórios novos, bem além das fronteiras estabelecidas pelas convenções. A Livraria Cultura Astor, tanto quanto o Edifício do Conjunto Nacional, tornase assim aspecto importante de nosso inconsciente coletivo. O espírito de uma sociedade se realiza, se transmite e se percebe pelos objetos culturais que ela dá a si própria e aos meios dos quais ela vive.

“Temos um dever para com a arquitetura: é o de inventá-la.”

 

FICHA TÉCNICA

    Projeto de arquitetura: Fernando Brandão Arquitetura+Design

    Autor do Projeto:
    Arq. Fernando Brandão

    Coordenador do Projeto: Arq. Márcia Rocha

    Colaboradores:
    Arq. Marcelo Lagos, Arq. Saturnino Pereira, Arq. Ana Castro, Arq. Alexandre Arana

    Área Construída: 4200m²

    Data de início do projeto: Fevereiro de 2006

    Conclusão da Obra:
    Maio de 2007

    Cálculo estrutural Concreto: Monteiro & Linardi

    Cálculo estrutural:
    Metálica Modus

    Luminotécnica:
    Arq. Laura Larrubia

    Projeto Ar Condicionado:
    Vetor

    Projeto Instalações:
    Projetar

    Programação Visual: Fernando Brandão Arquitura+Design e Carlos
    Matuck

    Painel Artístico: Carlos Matuck

    Construtora:
    Valor Engenharia

    Gerenciamento: Valor Engenharia: Eng.Gustavo

    Detalhamento teatro: Serroni

    Fornecedores:

    Carpete: Verona
    Marcenaria: Ybiraitá
    Serralheria: Permetal
    Piso Madeirado: Tafias/Poliface

    Comunicação Visual:
    SignoSinal
    Moveis: Pecá Única
    Mobiliário escritórios: Alberflex
    Luminárias: E27 e Osram
    Luminária V. Café: Fabio Falangue e Fernando Brandão
    Construtora V.Café: Souza Lima

    Fotografias:
    Fran Parente e Olegário Vasconcelos

    Projeto de Arquitetura do Conjunto Nacional e Cine Astor:

    Arq. David Liebeskind

 

 

 


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