
Iluminação - Neide Senz
Arquitetura e iluminação no projeto do Hard Rock Café Brasil
“ A luz tem a propriedade de emocionar, de estabelecer contato com as pessoas sob o aspecto psicológico, em que podemos nos sentir agradáveis num ambiente bem iluminado ”.
Frank Lloyd Wright, um dos mais influentes e reconhecidos arquitetos do mundo, já dizia: “mais e mais tenho a sensação de que a luz é que dá ao edifício sua grandiosidade”. Foi a partir desta visão que o projeto de arquitetura e iluminação do Hard Rock Café Brasil foi desenvolvido. A rede que abriga restaurantes, casas de show, hotéis e cassinos, foi originada em 1971, com a criação do primeiro restaurante em Londres. Atualmente, o grupo Hard Rock conta com mais de 100 lojas em quase 30 países. No Brasil, a primeira loja com 2.000 m² foi inaugurada em 2000, na Barra da Tijuca - Rio de Janeiro. Em 2005 foi aberta outra filial do Hard Rock Café em Belo Horizonte. O estabelecimento, além de oferecer o tradicional restaurante, possui boate, espaço para eventos empresariais e festas infantis e uma loja com diversos produtos da marca.
O projeto de arquitetura do Hard Rock Café foi desenvolvido nos Estados Unidos, sendo compatibilizado e detalhado no Brasil pelo escritório de Ricardo Julião. O trabalho de adaptação da loja buscou escolher materi-ais nacionais que mantivessem a padronização do conceito arquitetônico original. Assim como no projeto do Rio de Janeiro, em Belo Horizonte a iluminação foi um elemento crucial para o sucesso do ambiente.
A responsável pelos projetos luminotécnicos do Hard Rock Café no Brasil foi a arquiteta e lighting designer Neide Senzi. “O projeto do Hard Rock tem uma personalidade muito forte e definida, por se tratar do museu do rock aliado a um restaurante casual”, explica a arquiteta. Para ela, o projeto lumino-técnico deveria ser muito alegre, passando uma imagem despretensiosa e informal, possibilitado pelo emprego de luzes coloridas e dinâmicas. O desenho de luzes foi planejado para realçar o logotipo da marca e acentuar a função dos espaços.
No caso da loja mineira, a iluminação deveria ser flexível, pois o estabelecimento, além de ser um restaurante, também era uma casa de show com um palco para a apresentação de bandas. Por isso, foram empregadas lâmpadas em que a intensidade luminosa pudesse ser regulada de acordo com a situação. A dimerização por controles programados possibilitou a modulação de cenas de almoço, jantar, show e limpeza, ajustando o acendimento e a intensidade da luz para cada função.
No teto, as lâmpadas PAR 20 50W dimerizáveis e refletores recuados cumpriam a função de evitar o ofuscamento da luminosidade. Para fazer a iluminação geral dos ambientes de circulação, foram desenhadas sancas de gesso em que estavam embutidas lâmpadas fluorescentes tubulares de 3000K e 32W. Este material foi escolhido para minimizar o custo de manutenção devido a sua alta durabilidade. A proposta para o bar foi a criação de um back light na parede de vidro leitoso com linhas de leds RGB. O controle de luzes foi programado através do sistema computadorizado color changer, que possibilitou trocas alternadas de cores em inú-meras combinações de luzes. O objetivo era dar dinamismo e flexibilidade ao espaço.
Neide Senzi, que lançou em 2006 o livro “Imagens da Luz” com trabalhos de 15 anos de profissão, explica que a iluminação é um elemento da arquitetura que deve estar intrínseco ao ambiente, auxiliando no desven-damento de seus elementos, como volume, forma, e textura. “É através da percepção visual advinda da luz que capacitamos a percepção espacial”. Segundo a arquiteta, é possível transformar um projeto de luz num negócio de sucesso ou em uma residência extremamente convidativa e aconchegante. Para ela, “a luz tem a propriedade de emocionar, de estabelecer contato com as pessoas sob o aspecto psicológico, em que podemos nos sentir agradáveis num ambiente bem iluminado”.
“ O projeto do Hard Rock tem uma personalidade muito forte e definida, por se tratar do museu do rock aliado a um restaurante casual ”.
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