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Palavra do Profissional

PARTICIPANDO DA GLOBALIZAÇÃO
POR MANOEL ROBERTO ALVES LIMA

Hoje em dia, participar do processo de globalização, deve ser considerado não como oportunidade, mas como necessidade. Cada vez mais empresas do varejo internacional disputam uma fatia do nosso mercado e precisamos agir para que uma parcela significativa do trabalho de projeto e outros serviços fiquem por aqui e não sejam canalizados para escritórios internacionais. Para isso, além de talento, é necessário demonstrar nossa capacitação técnica e até administrativa. Precisamos provar que sabemos cumprir prazos, gerenciar processos, respeitar orçamentos, interagir com fornecedores e trabalhar em equipe. Empresas internacionais costumam dar enorme importância à organização e métodos. Normalmente tem normas
e manuais para a maioria das atividades, políticas claras, sistemas operacionais formatados, melhores práticas definidas e exigem que tudo isso seja compreendido e seguido à risca. Não só a aplicação da marca costuma ser protegida, como também uso de cores, símbolos, signos, personagens, slogans, fotos, modelos, padrões gráficos, fontes e até o uso de materiais costumam ser regulamentados. O ônus da comunicação costuma ficar conosco. Correspondências, contratos e projetos quase sempre na língua do contratante. Manter na equipe pessoas fluentes (lê, escreve e fala) pelo menos em espanhol e inglês é obrigatório. Na F&AL o processo de globalização foi uma constante desde a inauguração da empresa em 1997, quando já nos preparamos para prospectar e cultivar relacionamentos com empresas internacionais. O nosso primeiro cliente foi a holandesa C&A, que mantém no Brasil o mesmo padrão de exigência e confiabilidade em relação a parceiros da sua matriz. Para quem não sabe, a operação de varejo no Brasil há muito tempo vem sendo tocada por executivos brasileiros, com uma fórmula brazuca que é hoje a mais rentável e interessante da organização. Temos trabalhado para a empresa fazendo desde vitrines e visual merchandising até manuais de loja, passando por vários desenvolvimentos de áreas específicas a projetos completos. O desafio sempre foi apresentar resultados criativos e surpreendentes, que pudessem ser viabilizados e operados nacionalmente, executados em prazos rígidos e com poucos recursos. A riqueza deste processo é enorme. Com eles, fizemos várias viagens internacionais, trabalhamos em conjunto com escritórios e fornecedores europeus e americanos e desenvolvemos por aqui sistemas e produtos inovadores, hoje incorporados ao vocabulário do mercado. Também desenvolvemos em conjunto com alguns dos melhores escritórios americanos projetos para o Mappin, O Boticário, Timberland, Design Íntimo, Duty Free, MAC Cosméticos e Clinique. Durante o trabalho para as últimas lojas do Mappin, entre 1995 e 97, estabelecemos uma linha de comunicação direta, com direito a várias sessões de trabalho conjunto aqui e em NY. Naqueles tempos heróicos, início dos e-mails, raros softwares e ainda sem a integração das redes, tivemos de nos superar para colocar nosso escritório a par do americano e desde então nos mantivemos na vanguarda como estrutura e suporte para a nossa equipe. Nestas ocasiões, ficamos impressionados com o valor que os líderes do varejo dão ao trabalho que realizamos. O número de horas dedicadas à discussão filosófica e estratégica dos projetos é enorme e é comum o envolvimento de vários times integrados, cada um com excelentes profissionais, lutando para produzir inovações que atendam às necessidades da empresa e superem as expectativas dos clientes. Participando da criação em maior ou menor proporção, nos foi possível com esta convivência observar e absorver os métodos, recursos e processos de escritórios com mais de 250 funcionários. O maior benefício que tiramos de tudo isso foi assimilar a forma como, principalmente nos Estados Unidos, o trabalho de visual merchandising se integra ao projeto, visando sempre trazer os melhores benefícios comerciais, contribuindo para o sucesso da operação. Aprendemos a somar sensibilidade e técnica, criatividade e racionalidade, produzindo ambientes impactantes que facilitam a operação e promovem vendas. Outro processo longo em que participamos durante os anos de 1998 e 99 foi o desenvolvimento da loja interativa do O Boticário. Em associação com um escritório americano, vencemos uma concorrência e foi então desenvolvido um projeto que une as práticas e idéias mais avançadas da época a detalhes que realçam a jovialidade e exuberância típica da nossa terra e da nossa gente, provando que a união de talentos é capaz de promover excelentes resultados. Durante 2004 / 2005 participamos da implantação do projeto da MAC para a Daslu, um protótipo internacional para pontos exclusivos, lançado pela empresa aqui no Brasil com enorme sucesso. Nosso trabalho com a Timberland também foi muito proveitoso. Empresa com forte presença internacional, calcada em um estilo de vida próprio, procura projetar nos seus pontos de venda uma imagem realista e autêntica dos seus valores. Mantém uma equipe interna que se soma a algumas das mais importantes consultorias e birôs de design mundiais para produzir os projetos, displays e peças gráficas que compõe a loja. Participamos deste processo desde a primeira loja no Brasil, em 1998, como contratados da Alpargatas, detentora da licença e operadora das lojas. A partir de 2005 fomos convidados a trabalhar diretamente para a matriz, coordenando o processo de projetos para América Central, Latina e Caribe e fomos recentemente convidados a reproduzir os conceitos na Europa, tendo acabado de entregar uma loja na Finlândia. Mas o que mais nos gratifica é poder trabalhar com liberdade criativa, como nos trabalhos para a C&A, Disney e Warner, além das recentes lojas conceito para a australiana Rip Curl e para a inglesa Reebok. Nestes projetos, bastante elogiados pelas matrizes, produzimos um trabalho único, que reflete a cultura, posicionamento e diferenciais competitivos da marca, porém adequados à realidade e à visão brasileira. Outro fator de orgulho é a nossa participação como consultores, convidados a produzir um trabalho estratégico de avaliação da imagem e instalações de cadeias internacionais, apontando caminhos e oportunidades na sua ambientação e operação de varejo. Desempenhamos esse papel em 2005 para a Farmatodo, maior cadeia de loja de conveniência e farmácia da Venezuela, com mais de 300 pontos de venda e neste anos para a Telmex, empresa líder de telefonia do México, que passou a associar à comercialização de aparelhos telefônicos linha completa de informática e tecnologia. Estar apto a encarar o processo de globalização, é mais que ser competente para desenvolver o projeto
e falar o idioma (na equipe de F&AL mantemos funcionários fluentes em espanhol, italiano e inglês). Significa também estar disposto a enfrentar processos consideravelmente mais demorados e burocráticos, trabalhar dentro de normas e procedimentos diferentes e ter jogo de cintura para ser liderado e liderar. Nós sempre consideramos esta participação não como oportunidade, mas como necessidade e investimos nisso recursos, esforço e concentração. Nós preparamos, cultivamos e prospectamos relações internacionais. Laura fez em 1986 um curso de visual merchandising no Fashion Institute of Technology, NY. Em 1988 visitamos nossa primeira feira internacional, Global Shop em Atlanta. Depois disso voltamos várias vezes e também participamos de Euro Shop de Dusseldorf, National Retail Federation
e Store Expo, em NY e Attractions and Amusement Parks, em Orlando. Em 1996 firmamos um acordo de representação com a FRCH Design Worldwide. Nestes eventos procuramos nos relacionar com empresas e instituições e como reconhecimento fomos indicados como membros do Institute of Store Planners. Para projetar nosso trabalho e nosso país lá fora, publicamos trabalhos na revista suíça Inspiration e na americana VM + SD, escrevemos artigos sobre o varejo no Brasil e o nosso trabalho na VM + SD e na inglesa Creative Inteligence e convidamos editores e palestrantes internacionais para eventos no Brasil. Acreditamos que nada acontece por acaso. Se você pretende interagir com empresas internacionais, prepare-se para isso.

 
Manoel Roberto Alves Lima
é Arquiteto, sócio-diretor da Falzoni & Alves Lima e diretor da ABIESV.

 

Câmara

Cursos e Treinamentos

Junho

• Acessibilidade, Mobilidade Urbana e Desenho Universal

• Comunicação e Marketing em Negociação e Vendas para                 Engenheiros e Arquitetos

• lnstalações de Ar Condicionado em Edifícios

• Planejamento e Controle de Obras de Edificações

• Licitação Pública incluíndo Pregão

• Elevadores e Escadas Rolantes: Projeto, instalação
   e Manutenção

• Terraplenagem Básica

• Iluminação com Ênfase em Ambientes Residenciais

•  Segurança e Automação Predial

•  Curso Novo :  Gestão de Pequenas Empresas de Projeto

• Marketing Imobiliário

• Fundações para Edifícios e Soluções em Desnível

• Visual Merchandising para Arquitetura de Interiores

Curso Novo : Calculo Estrutural Básico

 

Julho

• Responsabilização Ambiental e Inspeção Ambiental
 Imobiliária - Detectando Restrições Ambientais em Imóveis

• Planejamento e Projeto Arquitetônico Para Áreas
   de Alimentação

• Arquitetura Promocional - Introdução aos Desenhos de Stands Promocionais

• Perspectiva à Mão-livre para Desenvolvimento de Projetos de Arquitetura
• Orçamento de Obras e Cálculo de BDI

• Alvenaria Estrutural - Elementos da Teoria e do Cálculo

• Feng Shui em Ambientes Empresariais

Agosto

• Projeto e Execução de Sistemas de Impermeabilização

• Gerenciamento de Obras

• Montagens de Lojas em Shoppings Centers

www.camaradearquitetos.com.br
Mais informações: (11) 3868-3090

 

 

 



FEICON
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