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PALAVRA DO PROFISSIONAL

Do Oiapoque ao Chuí, a história do shopping center no Brasil

POR ANDRÉ PEDREIRA DE FREITAS SÁ*

O Comércio existe desde o início da humanidade; através do escambo, com o sistema de trocas de mercadoria. Com a invenção da moeda o comércio começou a ser mais intenso e mais organizado, iniciando-se os primeiros agrupamentos de áreas de venda, principalmente nas praças, com as feiras móveis ou fi xas, início de agrupamento de lojas. Na idade moderna, a Europa iniciava o esplendor do desenvolvimento sócio cultural inovando entre outras atividades, a atividade comercial à medida que a revolução industrial oferecia em pouco tempo um mundo de novos produtos de consumo em todos os segmentos desde a alimentação ao segmento de vestuário, de calçados à louçaria, de eletrodomésticos a cosméticos, enfim, esta gama de ofertas começou a ser correspondida por uma necessidade da organização do comércio. Das atividades esparsas dos novos segmentos distribuídas em avenidas ou ruas, com compras específicas em lojas específicas, foi inventado um novo modelo comercial que agrupasse de um modo inteligente as inúmeras ofertas de produtos, de uma maneira mais bem exposta do
que em várias lojas refl etindo numa inteligente solução de encontrar tudo em um só lugar – nascia desta maneira o magazine europeu. Exemplos franceses como a Galeria Lafayette e Printemps, Harrod’s em Londres, El Corte Inglês em Madrid lideram os exemplos seguidos pelos países americanos, como nos Estados Unidos com a Macy’s, Bloomingdale’s, Newman Marcus, entre outras e o Brasil com a Mesbla, fundada por dois franceses no início do século passado. De fato os magazines ou lojas de departamentos, existem até hoje e no Brasil cada uma com a sua especialização desde a C&A, Zara, Renner e Riachuelo típicas em vestuário ou Ponto Frio, Casas Bahia e Insinuante na linha de móveis eletrônicos e eletredomésticos incluindo Hipermercados que oferecem tudo isso junto, além de alimentação. De fato, com esta clara evidencia da evolução da estrutura comercial nos Estados Unidos, a partir da década de 1940 devido à criação rápida de novos desenvolvimentos urbanos, criação de novos bairros e aumento de produção de automóvel, novas soluções foram empreendidas para uma concentração de lojas em um só lugar, agregando um supermercado e/ou loja de departamento (magazine) ancorando um grupo de lojas menores com um mix complementar – esta nova invenção foi chamada de Shopping Center.


Desde então o Shopping Center transformou-se em várias formas e tamanhos se espalhando pelo país americano e sendo responsável, hoje, por mais de 30% de todo comércio nos Estados Unidos. Este modelo despertou, na década de sessenta, o empresário Alfredo Matias a desenvolver em 1966, o primeiro Shopping Center no Brasil – o Shopping Center Iguatemi em um bairro de classe média alta em São Paulo que, após várias reformas, lidera ainda hoje como o mais sofi sticado e rentável Shopping do Brasil. O projeto incorporava as características de um Shopping Center urbano com âncoras e lojas satélites distribuídas ao longo das circulações e praças interligadas com rampas, escadas e elevadores. A infl uência deste novo modelo comercial, a partir da década de setenta, dava início a uma nova era no Brasil que ia ao encontro do crescimento econômico do país com a ampliação da classe média, ansiosa por soluções modernas que agregasse o conforto, a segurança e a tranqüilidade ao hábito de comprar. Em 1975 inauguravam o Iguatemi Bahia em Salvador, o primeiro Shopping do Nordeste e o Iguatemi Campinas, o segundo em São Paulo, ambos em localizações de zona de crescimento urbano e ambos de grande sucesso até hoje. Em 1976 era fundada a ABRASCE – Associação Brasileira de Shopping Centers que estabeleceu parâmetros e normas para afiliações a fim de se padronizar as defi nições do Shopping Center no Brasil. As características estabelecidas de tamanho e mercado dos Shoppings de vizinhança, comunitário e regional foram ampliadas à medida que novos modelos apareceram como os Power Center, e recentemente o Life Style Center, frutos das constantes mudanças e evolução do mercado, cada vez mais exigente  em busca de seu local ideal para comprar. Nesta busca de satisfazer o público consumidor, os segmentos de clínicas médicas, cursos de idiomas e universidades, além de clínicas de saúde ampliaram as tipologias dos Shopping atuais. Os quarenta anos de existência desta maravilhosa indústria de Shopping Centers, criou um exército de profi ssionais competentes em todas as suas áreas de planejamento, concepção, construção e gestão que através da sua capacidade vem criando modelos brasileiros com suas características próprias regionais e mercadológicas, oferecendo serviços em todo o país e fora do país, numa evidente amostra da sua arquitetura, criativa, versátil, alegre, funcional, plástica com a competência necessária e exigida para satisfazer o seu maior cliente – o consumidor. Os shopping centers estão em todo o Brasil do Oiapoque ao Chuí, cada um com sua característica própria, indo ao encontro do seu mercado preenchendo as suas necessidades comerciais, de lazer – entretenimento e de serviços criando espaços descontraídos, iluminados, nas suas circulações e praças, alcançando a vontade de ir e vir e acima de tudo de querer voltar.

André Sá



Formado em 1969 pela Faculdade de Arquitetura da Universidade
Federal da Bahia, tem se dedicado desde o início da sua vida profissional
ao desenvolvimento de projetos com mais de 1.500.000,00 m² de área projetada. Durante este período inúmeros contatos com empresas internacionais e visitas a dezenas de países vem solidificando o conhecimento nestas áreas captando as constantes mudanças e novas experiências. Entre os inúmeros projetos destaca-se o do mega RESORT COSTA DO SAUÍPE no qual participou desde a concepção do Plano Diretor com 1.780ha, até os projetos de arquitetura nos quais foram projetados 1.680 quartos. Na área comercial participou de mais de cinqüenta projetos de Shopping Centers no Brasil e no exterior, desde os pequenos Shoppings de vizinhança até os Shoppings regionais como o Center Norte em São Paulo e o Salvador  Shopping em Salvador. Sua atividade o levou a participar de vários congressos e seminários trocando informações e enriquecendo as experiências nestes segmentos. Das variadas premiações destacam-se o Arquiteto do Ano 2007, Prêmio BRASKEM, Arquitetura Corporativa e Hoteleira.

ANDRÉ PEDREIRA DE FREITAS SÁ
Diretor Executivo
afa@afa.arq.br

 

 


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