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Especial  Bares

Empreendedores buscam criar ambientes de convivência
diferenciados, agradáveis e econômicos.

Cada vez mais, arquitetos, construtores e decoradores estão utilizando o emprego de materiais reaproveitáveis como alternativa consciente, elegante e econômica para a criação de ambientes.

Atualmente, a busca pela sustentabilidade aparece com freqüência em projetos arquitetônicos que visam atingir objetivos promocionais como bares, restaurantes e casas noturnas. Os arquitetos também estão buscando conhecer melhor os materiais oferecidos pelo mercado, para melhor viabilizar as opções para os seus projetos. Muitas vezes, a saída mais interessante é a mais simples. “Menos é mais, na maioria das vezes”, sintetiza o arquiteto Sérgio Carramate. Muitos materiais que antes eram desperdiçados, passaram a ser vistos como “materiais artísticos”, como dizia o engenheiro Moacyr Archanjo, criador do Velhão, um complexo que hoje abriga bares , restaurantes e outros serviços, que é um exemplo interessante do emprego criativo daarquitetura sustentável.
Ao chegar no Velhão pela Estrada de Santa Inês, vê-se uma construção com prédios de tijolos à vista. A entrada do pátio central, que dá acesso aos diversos estabelecimentos, tem o chão constituído de paralelepí-pedos reutilizados. A arquitetura do local é toda baseada em materiais reaproveitáveis, conseguidos em demolições de casarões e prédios antigos. No Velhão, o responsável pelo garimpo de materiais é Edvaldo Barbosa de Souza. Segundo ele, a madeira e o aço provêm de construções que têm de 50 a 100 anos. “Quanto mais antiga é a peça, mais ela vale”, explica o garimpeiro. 
A arquitetura do local transmite o estado puro dos materiais antigos, em que a alvenaria à mostra é mesclada com colunas de gesso, madeiras rústicas, vitrais e aço, com os mais variados desenhos.
Segundo Ubiratã Archanjo, um dos donos do local, o Velhão possui marcenaria e serralheria própria, que são procuradas por arquitetos, construtores e reformadores de diversos lugares de São Paulo.   
O conjunto arquitetônico, construído no coração da Serra da Cantareira na década de 80, era apenas um barracão quando o engenheiro Moacyr Archanjo dos Santos começou a sua empreitada. Hoje, o Velhão conta com um boulevard com diversas lojas, e oferece serviços como choperia, sinuca, café, restaurante, pizzaria, massagens e ofurô. O Velhão é procurado por pessoas que buscam um espaço aconchegante para lazer e entretenimento.
O charme arquitetônico do local aguça a curiosidade dos clientes, que ficam encantados com todos os detalhes dos ambientes. A criatividade compositivados prédios do Velhão beira ao inusitado. Lá se pode encontrar, por exemplo, uma janela com o formato de piano, uma mesa feita de correntes soldadas e um pórtico com colunas gregas, que não têm finalidade de sustentação, realizando uma função apenas decorativa. Segundo Selene Gonçalves, produtora do Velhão, a originalidade da construção é a própria publicidade do lugar, que também é bastante procurado para promoção de eventos, filmagens, comerciais, e ensaios fotográficos; não é preciso fazer promoção do estabelecimento, pois o lugar já é bastante badalado pela mídia e por personalidades do mundo artístico.  
O complexo também é um bom lugar para arquitetos, decoradores e amantes de artigos antigos, como móveis e objetos de decoração. Segundo Mila Misson, responsável pelo antiquário, “tudo no Velhão está à venda, desde as portas e janelas dos estabelecimentos, até os móveis e objetos decorativos”.
Localizado em Moema, o restaurante Villa Alvear possui um cardápio tipicamente argentino e atrai clientes que apreciam a combinação de um ambiente aconchegante, com boa música e comida diferenciada.
O recanto porteño, forrado com madeiras escuras e com colunas de tijolos vermelhos, possui um salão com mesas redondas, postes de luz e candelabros, que transmitem ao ambiente um charme especial, fazendo recordar os antigos castelos europeus. Para os amantes da música, o Villa Alvear tem um mezanino com um piano de cauda onde toca o pianista da casa, ao lado do clube do whisky e da charutaria. O lugar ainda conta com uma varanda bem arejada e uma adega no subsolo, onde são guardados mais de 500 rótulos diferentes de vinho. Para o arquiteto Sérgio Carramate, responsável pela criação do restaurante, o objetivo do projeto foi de “despertar a curiosidade daqueles que passam pelo empreendimento, fazendo um local confortável e charmoso, onde as pessoas possam conviver por horas”. Para Sérgio, “a arquitetura é fundamental para tornar o local um novo point para se divertir, falar de negócios, ouvir uma boa musica, beber e comer bem”. 
A concepção do projeto arquitetônico buscou dar aconchego ao espaço de convivência, misturando o moderno com o rústico de forma equilibrada. O local deveria ser humano e acolhedor. “Gostaria de me sentir em casa, relaxado e zen”, explica Sérgio Carramate, que já foi responsável pela criação de diversos restaurantes, boates, ba-res, padarias, pizzarias, dentre outros estabelecimentos.
Na construção do Villa Alvear foram utilizados vários materiais provenientes de demolições, como tijolos, madeiras, portas e janelas. Na opinião de Sérgio, os tijolos reutilizados, além de ser um material barato, também servem para decorar o interior da casa. “Por ser artesanal, torna o ambiente mais acolhedor e humano, e também é um bom isolante térmico”, explica o arquiteto. Outros materiais recuperados também foram empregados na arquitetura do restaurante, dentre eles, tábuas de assoalhos antigos, placas de OSB recicladas, e um mobiliário usado. O emprego da madeira reciclada no piso, portas e janelas, além de representar custo baixo à obra, é uma alternativa ecologicamente correta e contribui com a acústica do espaço.

A preocupação com todos os detalhes do projeto arquitetônico deve atender
a três elementos primordiais:
“alma, funcionalidade
e tendência”

Para a criação do projeto Villa Alvear, o anti-
go prédio precisou sofrer uma série de readaptações. Foram derrubadas todas as paredes internas, sendo aproveitadas ape-nas as estruturas antigas e o telhado. A fachada do estabelecimento foi recriada por inteiro para atender à proposta de uma vila argentina. Os postes de iluminação de ferro fundido, que decoram o interior do ambiente também foram recuperados de uma construção antiga. Os tampos das mesas foram feitos com placas de OSB recicladas. O aço  oxidado, cimento queimado, e ladrilho hidráulico, foram outros materiais de baixo custo empregados no conceito do restaurante. “A busca constante de materiais baratos, e ecologicamente corretos, fazem a diferença no meu trabalho”, conta Sérgio. “O garimpo de móveis e objetos usados pode complementar o conceito arquitetônico dos ambientes”, explica o arquiteto. O casarão da rua Bela Cintra, construído no início do século XX sob influência da arquitetura européia, chama a atenção pela sua fachada iluminada pelo néon cor-de-rosa. O sobrado branco é contrastado pelo portão, grades e detalhes vermelhos. A frente do prédio, com grandes janelas de madeira, faz lembrar o nascimento da metrópole paulistana.
A readaptação do antigo casarão, para a criação do bar e casa noturna Geni Club, foi bastante rápida. A reforma foi dirigida pelo italiano Maurizio Longobardi e pela francesa  Sophie Fakhouri. Antes de idealizar o Geni, a dupla produziu projetos na Vila Madalena como o Brancaleone, Grazie a Dio! e o Bop Bistrô Eletrônico. A estrutura inicial da casa foi respeitada e reabilitada, precisando ser refeito todo o acabamento com relação à massa das paredes, pintura, madeira e iluminação. Depois da reforma básica, foram convidados diretores de arte e artistas para cuidar da decoração das salas do primeiro andar.
Segundo a diretora de arte e cenógrafa Sophie Fakhouri, “a casa teria que ser aconche-gante, com vários ambientes e alguns cantos separados”. A decoradora conta que a simplicidade caminha junto com a elegância, mas não se pode descartar algumas tendências, assim como não é preciso temer a mistura de elementos diferenciados, basta empregá-los de forma coerente.
O interior da casa transmite a atmosfera de um cabaré, como havia no início do século passado. As paredes foram pintadas da cor “berinjela” escuro, que tem a particularidade de aceitar todas as cores.  A composição de uma das paredes do térreo da casa teve uma decoração em formato panorâmico, em que foi feita uma colagem de vinil em aço escovado prata e espelho dourado. Em outras salas foram empregados stickers de estrelas em espelho e uma montagem com pássaros e formas abstratas.
Os móveis de várias épocas foram garimpados  em lojas de antiguidades da cidade. Foram criados sofás de bistrôs parisienses e cortinas teatrais de veludo escuro para enfeitar o palco do salão térreo, onde ocorrem os shows noturnos.  Algumas luminárias foram trazidas de Paris por Sophie, e para completar a iluminação do piso inferior  foi desenhada uma luminária em formato da torre Eiffel. Para Sophie, a preocupação com todos os detalhes do projeto arquitetônico deve atender a três elementos primordiais: “alma, funcionalidade e tendência”. 
Segundo Sophie, é possível fazer um projeto de um bar, restaurante, ou casa noturna economizando e exercendo a consciência ecológica. No projeto do Geni não foram utilizados espécies de madeiras em extinção como a peroba, o jacarandá e a imbuia. A decoradora afirma que há alternativas de materiais ecologicamente corretos, como o MDF. “É um pouco limitado em termo de tonalidades de cores, mas a gente sempre adapta com acabamentos de verniz ou tinta para chegar ao efeito desejado”, comenta Sophie. A diretora de arte eliminou de todos seus projetos as madeiras não ecológicas. “Não virei ativista, mas não participar do desmatamento da Amazônia e não usar madeira ilegal é o mínimo”, explica. Sophie conta que já pintou um balcão e uma estante de quatro metros para imitar o “jacarandá” e não precisar usá-lo de fato.
Também é possível economizar no projeto de luz, pesquisando lâmpadas e novos produtos que não desperdiçam energia. Para a decoradora, um bom projeto exige pesquisa e utilização de materiais alternativos e bem selecionados. “Vale a pena procurar e pesquisar pisos, e não escolher a facilidade ou só o funcional, como cerâmicas frias e banais”.

 

 

 


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